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sábado, 30 de abril de 2011

Cotidiano Escolar: uma prática social em construção (texto 2)

Sabemos que as mudanças ocorridas nas escolas acontecem de maneira lenta e às vezes não são valorizadas. Sabemos que as escolas ainda têm resquícios de seu tradicionalismo, porém estão bem mais abertas para as idéias dos professores. Prova disso são os currículos ocultos que acontecem todos os dias nas escolas. O que devemos ter em mente é que não temos como aplicar as ações que deram certo em uma instituição, que tem seus costumes, suas necessidades, em outra escola sem ao mesmo estudá-las e adaptá-las para cada realidade.Porém como profissionais da educação devemos sempre valorizar e fortalecer as conquistas obtidas no âmbito da educação e passá-las a diante, a fim de facilitar o caminho a ser percorrido por outros e/ou novos educadores. A necessidade de criar um espaço vazio para a criação do novo, uma vez que, estamos sempre submetidos a uma proposta pedagógica curricular. Profissionais da educação estão dispostos a discutir algo novo, inventam e revolucionam nas escolas de acordo com a realidade de cada um. Deve haver mais trocas de experiências entre profissionais da área da educação. Esta deveria ser uma prática constante, fazer parte do dia-a-dia desse profissional, porém a realidade que conhecemos não é essa. Muitas vezes vemos cada um "fazendo o seu" e ponto final. Não existe uma realidade única, é preciso conhecer os "espaços" que guardam a memória de uma liberdade de ação, e observa-se que as reformas educacionais não levam isso em conta. Os processos pedagógicos devem ter a participação do coletivo e é indispensável um diálogo fértil e crítico, respeitando às "nossas redes de significação".
No cotidiano escolar deve-se buscar experiências alternativas, vontade de fazer, a discussão de possibilidades e colocar em relevo as características, os acontecimentos e os sujeitos com todos os seus saberes, sentimentos, gostos e interesses. Conclui-se que a compreensão dessas marcas cotidianas exige uma atenta composição que leva em consideração as ordens éticas, epistemológicas, teóricas e práticas durante todo o processo de buscar como é o currículo em ação em uma determinada escola."....Tem constantemente que jogar com os acontecimentos para os transformar em ocasiões." (Certeau, 1994, p.47). O professor é um sujeito inovador, podendo inovar junto aos alunos, como no comentário acima, como também é afetado pelo cotidiano do local onde exerce sua profissão, o professor não transmite conhecimento e sim informações. O conhecimento é fruto da interação do aluno/professor, nos questionamentos e divergências sobre aquele informação. A escola deve portanto valorizar e trabalhar com os múltiplos conhecimentos dos alunos acreditando em sua potencialidade, onde destaco aqui a liberdade de expressão, religião e demais orientações que se postos em prática no cotidiano escolar contribuirão para um currículo que realmente colabore na formação de cidadãos, não estando "engessado" , tão pouco atrelado a realidades que nada tem a ver com a comunidade na qual está inserida. Sou a favor do currículo que possibilite plena autonomia ao professor e alunos a descobrir outras didáticas sobre o tema, como também uma fiscalização para saber se estar tudo em ordem. Uma fiscalização para verificar se o conteúdo esta sendo executado de uma forma criativa e que faça despertar no aluno o prazer de descobrir, de poder indagar, questionar e outros.
É curioso notar que, apesar dos cursos de formação de professores enfatizarem que ler é uma atividade complexa, pois envolve a conjugação de ações múltiplas como percepção, decodificação e processamento de informações, memória, predição (antecipação), inferência, dedução, evocação, analogia, síntese, análise, avaliação e interpretação, falta a grande parte dos professores a vivência dessa atividade cognitiva, tão distante da apresentada a eles na sua formação. As próprias reflexões e orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais sobre o que seja um leitor competente e como se dá o processo de leitura encontram uma lacuna entre o que preconiza e os conceitos construídos pelos professores. E transformar esses conceitos não é tarefa fácil, pois quando o professor se vê sozinho em sala de aula, mesmo tendo recebido uma gama de informações em cursos de formação, ele retoma suas práticas cotidianas sem grandes modificações ou tentando incluir pequenas transformações. Essas pequenas transformações, não vivenciadas por ele, não trazem grandes resultados já que ele também as emprega de maneira técnica sem a construção necessária de sentido do texto.
Nos anos 70, proliferou o que se chamou de ‘tecnicismo educacional’, inspirado nas teorias behavioristas da aprendizagem e da abordagem sistêmica do ensino, definiu uma prática pedagógica altamente controlada e dirigida pelo professor com atividades mecânicas inseridas numa proposta educacional rígida e passível de ser totalmente programada em detalhes. (...) O que é valorizado nesta perspectiva, não é o professor mas sim a tecnologia, o professor passa a ser um mero especialista na aplicação de manuais e sua criatividade fica dentro dos limites possíveis e estreitos da técnica utilizada. (...) Esta orientação foi dada para as escolas pelos organismos oficiais durante os anos 60 e até hoje persiste em muitos cursos com a presença de manuais didáticos com caráter estritamente técnico e instrumental.
Há uma repetição diária, nas inúmeras salas de aula espalhadas pelo país, e modelos adquiridos, como alunos, através de uma vivência pedagógica tecnicista, inspirados nas teorias behavioristas, tão presentes ainda nos materiais pedagógicos, em que o aluno reage aos estímulos de forma a responder o esperado pelo professor, sem grandes possibilidades de reflexões sobre a língua e a linguagem.
No final dos anos 70 e início dos 80, constituíram-se as denominadas Pedagogia Libertadora e Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos, ambas propondo uma educação crítica a serviço das transformações sociais, econômicas e políticas para a superação das desigualdades existentes no interior da sociedade.
A Pedagogia Libertadora tem suas origens no movimento da educação popular, no final dos anos 50 e início dos anos 60, quando foi interrompida pelo golpe militar de 1964, e retoma o seu desenvolvimento no final dos anos 70 e início dos anos 80. Nesta proposta a atividade escolar pauta-se em discussões de temas sociais e políticos e em ações sobre a realidade social imediata; analisa-se os problemas, os fatores determinantes e estrutura-se uma forma de atuação para que se possa transformar a realidade social e política. O professor é um coordenador de atividades que organiza e atua conjuntamente com os alunos. Pedagogia Libertária inscreve-se no contexto das teorias modernas da educação. Neste sentido, possui uma fundamentação filosófica e política que lhe é própria, embora esta fundamentação esteja relacionada com outras teorias e práticas pedagógicas que lhe são contemporâneas.
Um dos principais eixos da educação libertadora proposta por Freire é o combate acirrado à dominação e opressão dos "de baixo". Esses podem ser entendidos como os excluídos da sociedade capitalista, os "demitidos da vida", os "esfarrapados do mundo". Sua obra acredita na intenção de mudança, presente em cada ser humano, na conscientização dos "de baixo" que são, a todo instante, explorados pelos "de cima". A alfabetização de adultos proposta por ele, procura resgatar a dignidade daqueles que durante toda a vida construíram a riqueza de uma nação, e pelo preconceito, pela fadiga e pelo cansaço não conseguem mais gerar o lucro dos patrões e, por isso são considerados descartáveis.
Sua proposta se distingue pela contundência de sua crítica, pela sua luta inabalável contra a opressão e a dominação. Sua obra sobressai pela trajetória militante em sala de aula, o que o diferencia no apelo em prol de um modelo educacional que negue a escola de imitação das bases dos processos educacionais norte-americanos e europeus, predominantes durante toda a história da educação no Brasil. Sua ação prática junto às comunidades da periferia, aos núcleos de favelas, à terceira idade, o credencia como educador destacodo pela militância concreta, colada à realidade sofrida das populações. Um dos grandes diferenciais da educação proposta por ele, dos outros modelos fundados sob bases teóricas. Através da prática Paulo Freire construiu sua teoria, por meio da ação construiu a esperança, através da militância, espalhou conhecimentos. Esses elementos demonstram a sua contribuição inegável para a educação brasileira. Contribuição que na maioria das vezes, deixou de merecer o devido reconhecimento de seu próprio país, apesar de reconhecida no restante do mundo. Foi preciso sua morte física (não de suas idéias) para que ela começasse a ser pesquisada no Brasil.
A proposta de Paulo Freire também leva a marca da preocupação com o fator humano. Acima de tudo investiga o homem enquanto humano, portanto de interesse para humanização. Desta forma ele procurava contextualizar o homem nos seus aspectos históricos, políticos, econômicos e sociais. Isso fazia com que ele enxergasse a educação fora dos muros da sala de aula tradicional, fazia com que ele percebesse o homem enquanto sujeito histórico e transformador dentro do grande ambiente global, onde se edifica a sociedade dos tempos modernos.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Cotidiano Escolar: Uma Prática Social em Construção ( texto 1)

As práticas curriculares são compreendidas como uma ação de orientação, acompanhamento e intervenção no cotidiano escolar, concretizando a integração entre a formação acadêmica e o exercício docente, ou seja, entre a teoria e a prática pedagógica dos professores-alunos. Esta prática estabelecerá situações em que se poderá dialogar, discutir, refletir, reavaliar, agir de forma que a ação-reflexão-ação possa ocorrer de forma contínua e interdisciplinar.
Entrevistando um professor de geografia da rede pública de ensino e a prática curricular vivida por ele, foi dito " é dificil lidar com os parametros curriculares, ainda mais na escola publica. Existe uma falta de recurso muito grande, que provoca uma série de entraves para conseguir trabalhar com o curriculo da maneira correta. Ainda mais com a falta de planejamento que temos que enfrentar, pois sempre tem que cobrir "buracos" de outros professores. A absoluta falta de interesse dos alunos aliada ao meus sentimentos de frustração, o que se desdobra em auto-falta de interesse em tentar interessar quem não tem interesse, monta uma cena trágica: a escola como depósito de pessoas. Claro que pode mudar e acredito na mudança, mas também que depende muito da realidade, do contexto. A teoria é muito distante da realidade. E uma experiência que deu certo numa ocasião ou num lugar pode não ter o mesmo efeito em outra contexto. o importante é não desanimar.Os alunos com maiores dificuldades de aprendizado certamente são aqueles que não tiveram, desde sempre, o apoio necessário. Sempre há as exceções, mas as regras são sempre estas. O apoio familiar (no estudo, na construção cultural do aluno) é extremamente importante.Mas a questão vai muito além disso. Muitas vezes, o desenvolvimento ‘mental’ dele não foi tão seriamente prejudicado, mas ele simplesmente não sabe o que é estudar, o que é aprender e o prazer que isso dá. É uma questão de cultura. Estudar pra quê? Como? Por quê? Com o quê? Não me culpo, planejo e organizo minhas aulas da melhor forma possivel, e penso que a escola não é mesmo para todos, não era no tempo em estudavamos e não é hoje. Não penso que todos os problemas estejam em nós professores, nem no que planejamos, tão pouco em nossa metodologia, muito menos na escola ciclada ou seriada, penso que todos os problemas sociais estão na sala de aula, desde o pai que bebe, até a menina que é abusada sexualmente e meu caro eu não sou Cristo, mas faço a minha parte, educar é aceitar o desafio."
Cada escola tem uma realidade diferente tendo suas necessidades diferentes. É necessário que o diálogo abra caminho para justificar as redes de conhecimento. A escola tem autonomia relativa para a confecção de seu currículo e de sua prática pedagógica, podendo fazer com que aquele já existente seja adaptado para sua realidade , trazer a prática o mais próximo da realidade dos alunos. O que falta na verdade é vontade de fazer!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O ATEÍSMO COMO FILOSOFIA MATERIALISTA E RECONCILIAMENTO COM O REAL

Ateísmo é a posição filosófica de que não existem deuses, ou que rejeita o conceito de teísmo. Em uma concepção mais ampla, o ateísmo é definido como a simples ausência de crença em divindades. No estudo de importantes filósofos constatou-se que, essa descrença geralmente vem de uma decisão deliberada ou de uma dificuldade para acreditar nos ensinamentos religiosos, portanto, não trata-se simplesmente da descrença advinda de desconhecimento sobre religiões. A simples descrença em deuses é denominado "ateísmo passivo"; "o ateísmo ativo" seria literalmente acreditar que não há (ou é impossível existir) deuses.
Ao contrário das três religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo), o ateísmo não é um estilo de vida nem uma doutrina dotada de um corpo de conhecimento ou princípios, mas somente uma classificação acerca do posicionamento ou estado intelectual do indivíduo em relação à idéia de deus.
Assim como os teístas, os ateístas possuem valores morais que norteiam suas ações. Não há quaisquer evidências empíricas para sustentar a acusação de imoralidade tão frequentemente lançada contra os descrentes. É claro que os ateus, como um todo, não compartilham um código moral único, não possuem uma moral baseada na autoridade de princípios ateísticos, que seriam absolutos ou superiores como os valores vinculados ao teísmo. Na realidade, os ateus escolhem individualmente — visando seus objetivos, suas necessidades — quais são os valores que melhor lhes servirão para guiar suas vidas em função do sentido que escolheram para elas; ou seja, o que não existe é uma moral ateísta no sentido em que falamos de uma moral cristã. Entretanto, há, por certo, ateístas morais, os quais se baseiam em fatores de natureza humana para fundamentar seus valores de modo racional; pois é claro que, sem um deus, tais fatores não poderiam ser absolutos ou transcendentais.
A grande frequência com que se tenta corroborar ou refutar o ateísmo através de julgamentos e valores morais apenas demonstra uma lamentável leviandade (ex: "ateus também fazem caridades" ou "muitos ateus são criminosos"). É claro que, se desejarem, alguns ateus podem ser bondosos, compassivos, solidários etc. Talvez devido ao fato de a maioria dos religiosos se identificar com esse tipo de moral sua típica ojeriza à palavra ateu possa ser um pouco amenizada; todavia, pretender que a bondade tenha, em si mesma, algum valor, que ofereça qualquer verossimilhança à posição, é, no mínimo, um absurdo. O mais "dogmático" dos ateísmos ainda não passa de uma mera negação ("Deus não existe", afirmativamente). Sendo assim, assumir um posicionamento ateísta remete-nos a um plano muito mais fundamental, muito mais abrangente. Em outras palavras, além de ser independente da moral, o ateísmo a precede em profundidade filosófica; ou seja, na melhor das hipóteses, somente será possível deduzir, individualmente, valores a partir do ateísmo, mas nunca o ateísmo a partir dos valores. Daí a impossibilidade de a bondade, por exemplo, servir de respaldo a ele; e o mesmo vale para objeções ao ateísmo baseadas em delitos cometidos por indivíduos ateus.
Até meados do século XIX, toda humanidade acreditava na existência de um "deus", exceto pequenos grupos intelectualizados reconhecidos por serem adeptos da teoria do livre - pensar, uma ideologia ceticista que ganhou notoriedade durante o período renascentista - final do século XIII - e espalhou influência por todo o mundo. Galileu Galilei, em 1616, provou ao mundo que a Terra girava em torno do sol - ao contrário do que estava escrito na Bíblia - sob ameaça de morte, o cientista fora induzido a se retratar. Por volta de 1720, Jean Meslier (1664 - 1729), um vigário de aldeia que viveu no norte da França, escreveu uma obra radical na qual preconizava a união dos oprimidos em torno do estrangulamento do último rei com as tripas do último padre. Era indignado contra as injustiças sociais cometidas contra os camponeses durante o reinado de Luís XIX. A solução por ele proposta para tais mazelas encontramos no seu manuscrito intitulado" Memória dos pensamentos e dos sentimentos de Jean Meslier" e nas "Cartas aos curtas". E consiste no ideal de uma sociedade fundamentada no ateísmo e na propriedade coletiva da terra. Do ponto de vista metafísico, Meslier nega categoricamente o dogma da criação do universo, por conseguinte, as idéias de divindade, transcendência e de providência ordenadora da natureza. Convém ressaltar que Meslier manteve o seu ateísmo e o seu ideário libertário no mais absoluto sigilo durante toda a sua existência, e que as suas convicções e os seus escritos apenas vieram à tona postumamente, causando um retubante escândulo.
Em 1859, Charles Darwin apresentou a Teoria da Evolução. A sociedade influenciada inicia um processo de confronto entre as evidências científicas e os dogmas religiosos. Surge o primeiro crescimento ostensivo do ateísmo no mundo. Em 1882, o filósofo ateu Friedrich Nietzsche (1844 - 1900) sinaliza este crescimento com a célebre frase publicada em Gaia Ciência: "Deus está morto! [...] e quem matou fomos nós!" O aforismo repercute internacionalmente e logo se inicia o movimento racionalista do século XIX, cuja principal característica, do ponto de vista religioso, foi a desvalorização da fé.
No século XX, o humanismo, impulsionado pela Revolução Industrial e pelo desenvolvimento capitalista substitui o racionalismo, mas a fé continua sendo considerada alienação. O mundo avança rumo ao progresso e a sociedade se distancia ainda mais de Deus. O ateísmo deixa de pertencer somente às classes intelectuais, influencia correntes filosóficas, os movimentos políticos - sociais como o liberalismo, a democracia, o anarquismo, o socialismo, e se infiltra fortemente, também, entre os grupos populares.
O ateísmo vem conquistando cada vez um maior número de adeptos, sobretudo nos países socioeconomicamente mais evoluídos. O diretor do Instituto World Values Surveys e cientista político da Universidade de Michigan, Ronald Inglehart, diz que nas sociedades caracterizadas pela carência na distribuição de alimentos, precariedade nos serviços públicos de saúde, de moradia etc., o índice de religiosidade tende a aumentar. Por outro lado, em nações onde há fartura e excelentes serviços nas áreas citadas, a fé tende ao desaparecimento. A hipótese já defendida pelo filósofo Karl Marx, em 1843, isto é, que o sofrimento produz religiosidade e a fartura o distanciamento de Deus, hoje pode ser visto quantitativamente através de pesquisas realizadas por sociólogos em todo planeta.
A criação de além-mundos não seria muito grave se seu preço não fosse tão alto: o esquecimento do real, portanto a condenável negligência do único mundo que existe. A miséria espiritual gera a renuncia a si mesmo, equivale às misérias sexuais, mentais, políticas, intelectuais. Grande parte dos homens fabulam, preferem as ficções tranquilizadoras para evitar olhar o real de frente. A credulidade dos homens supera o que se imagina. Se desejo de não enxergar a evidência, sua avidez por um espetáculo mais divertido, mesmo que pertença à mais absoluta ficção, sua vontade de cegueira não conhece limites. Antes fábulas, ficções, mitos, histórias para crianças do que assistir à revelação da crueldade real que obriga a suportar a evidência trágica do mundo. Para conjurar com a morte, o homo sapiens a exclui.
Desconstruir os monoteísmos, desmistificar o judeo-cristanismo e o islã, depois desmontar a teocracia, eis três impreendimentos inaugurais para a ateologia. Trabalhar em seguida uma nova ordem ética em que o corpo deixa de ser punição, a terra um vale de lágrimas, a vida uma catástrofe, o prazer um pecado, as mulheres uma maldição, a inteligência uma presunção, a volúpia uma danação.



quarta-feira, 27 de abril de 2011

FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA

Durante o século XX várias correntes de pensamentos agiram ao mesmo tempo. As releituras do marxismo e novas propostas surgem a partir de Antonio Gramsci, Henri Lefebvre, Michel Foucault, Louis Althusser e Gyorgy Lukács. A antropologia ganha importância e influencia o pensamento do período, graças aos estudos de Claude Lévi-Strauss. A fenomenologia, descrição das coisas percebidas pela consciência humana, tem seu maior representante em Edmund Husserl. A existência humana ganha importância nas reflexões de Jean-Paul Sartre, o criador do existencialismo.
Não é fácil reconhecer o que é a filosofia contemporânea, estamos perto demais. Percebemos a filosofia do passado com mais clareza e mais coesão do que percebemos a filosofia que se faz hoje. Chamamos de filosofia contemporânea aquela que teve início no século 19, atravessou o século 20 e chegou até os dias de hoje.
A filosofia do século XX trouxe uma série de desenvolvimentos teóricos contrários em relação ao que se refere a validade do conhecimento através de conceitos e abstrações absolutas, ou seja, afirmações universais ou leis gerais. As certezas decorrentes do pensamento clássico foram derrubadas, embora permaneçam como problemas sociais, econômicos e científicos, juntamente com formas novas de conflito e reivindicações concernentes à organização geopolítica e epistêmica do sistema-mundo contemporâneo.
Novos estudos na filosofia da ciência, filosofia da matemática, epistemologia acrescentaram aparentemente tendências antagônicas na contabilidade da consciência e seus objetos, como expresso nas profundas diferenças entre filosofia analítica e continental, as quais tiveram lugar em fundações, no início do século. Os avanços na relatividade, na quântica, na física nuclear e, nas ciências generativas, como a ciência cognitiva, cibernética, genética e generativa linguística, e na rica produção literária, artística, como no Cinema e na Música, foi uma forma enriquecedora de propagar pensamentos filosóficos.
Farei um resumo das principais escolas filosóficas:
Filosofia Analítica
A Filosofia analítica é uma vertente do pensamento contemporâneo, reivindicada por filósofos bastante diferentes, cujo ponto comum é a idéia de que a filosofia é análise - a análise do significado dos enunciados - e se reduz a uma pesquisa sobre a linguagem.
A filosofia analítica começou com a chegada de Wittgenstein a Cambridge em 1912 para estudar com Bertrand Russell e, como acabou por acontecer, para o influenciar de forma significativa. Entre as duas guerras mundiais, devido à influência dos escritos de Russell e do Tratactus Logico-Philosophicus (1922) de Wittgenstein, a filosofia analítica acabou por dominar a filosofia britânica. Na década de trinta, as ideias de Russell e Wittgenstein foram adaptadas e desenvolvidas de modo sistemático, e mais radical, pelos positivistas lógicos do círculo de Viena e por Reichenbach e o seu círculo em Berlim. Surgiram ainda grupos de simpatizantes na Polónia e na Escandinávia e alguns aderentes distintos dispersos pelos Estados Unidos (onde muitos dos positivistas europeus se refugiaram ao escaparem a Hitler), como Nagel e Quine. A radical alteração de ideias do derradeiro Wittgenstein, que regressou a Cambridge em 1929, mais próximas agora do primeiro aliado de Russell, A. G. Moore, ganhou uma influência crescente; sob o rótulo de "filosofia linguística" tornou-se preponderante nos países de língua inglesa de 1945 até aos anos sessenta. Desde a fase pós-positivista aos dias de hoje a filosofia de língua inglesa é principalmente analítica, no antigo sentido pré-linguístico, ainda que contemple um variadíssimo método e doutrina.
Russell e Moore tornaram-se pensadores originais na primeira década do século ao romperem claramente com o tipo de idealismo professado por Bradley no qual se formaram. Argumentaram contra a perspectiva de que a realidade é por natureza mental, constituindo uma unidade não analisável, e defenderam que a sua pluralidade inclui uma multiplicidade indefinida de coisas; defenderam também que estas coisas pertencem a diferentes categorias fundamentais — materiais e abstratas, tal como mentais. Minaram fatalmente a teoria idealista segundo a qual todas as relações são internas, inerentes ao que relacionam e, de forma menos persuasiva, que os objectos imediatos da percepção são conteúdos subjectivos da consciência.
Durante este período o principal trabalho de Russell ocupou-se de lógica. Definiu os conceitos básicos da matemática em termos puramente lógicos e procurou, com menor sucesso como mais tarde se verificaria, deduzir os princípios fundamentais da matemática a partir unicamente de leis lógicas. Com a sua teoria das descrições, forneceu um novo tipo de definição, as definições contextuais, que não consistem em correlacionar sinônimos com sinônimos mas em regras que permitem substituir frases onde a palavra a definir ocorre por frases onde não ocorre. Este fato foi descrito por F. P. Ramsey como o "paradigma da filosofia".
Trabalhando conjuntamente com Wittgenstein entre 1912 e 1914, Russell elaborou as concepções reunidas sob a designação de "atomismo lógico", expostas de forma algo casuístico em Our Knowledge of the External World (1914) e Philosophy of Logical Atomism (1918) e, de maneira sistemática, mas obscura, no Tratactus de Wittgenstein. Sustentaram que o pensamento e o discurso são analisáveis em proposições elementares que representam diretamente estados de coisas, complexos constituídos por relações que os termos lógicos "não", "e", "ou", "se" e, talvez, "todos" simbolizam (Russell, ao contrário de Wittgenstein, considerou o último irredutível). A verdade ou falsidade das proposições complexas resulta do modo como verdade e falsidade se encontram distribuídas entre os componentes elementares. Algumas proposições são verdadeiras qualquer que seja o valor de verdade dos seus componentes elementares e constituem as verdades da lógica e da matemática.
Ambos acreditavam que a linguagem comum ocultava o verdadeiro conteúdo lógico das proposições complexas, que só poderia tornar-se claro mediante o tipo de redução analítica proposto. As proposições que não podem ser analisadas em asserções de facto elementares são consideradas "metafísicas" — por exemplo, as proposições éticas e religiosas. Sustentaram também que as proposições elementares representam o mundo tal como realmente é. No entanto, extraíram daqui diferentes conclusões ontológicas. Wittgenstein concluiu que as proposições elementares revelam a estrutura do mundo em geral. Russell, interpretando as proposições elementares numa perspectiva empirista, defendeu que exibem os conteúdos imediatos dos sentidos e concluiu, de acordo com o monismo neutral, que só existem acontecimentos experienciáveis; as mentes que realizam as experiências e os objetos cuja existência é deste modo atestada são apenas construções com base na experiência, e não objectos dela independentes. Incluiu aqui a análise de partículas materiais, pontos no espaço e instantes temporais, desenvolvidas no início dos anos vinte por A. N. Whitehead, com quem colaborou nos primeiros trabalhos lógico-matemáticos.
O Círculo de Viena, liderado por Carnap e Schlick, adaptou a concepção segundo a qual a filosofia consiste em análise lógica e que a lógica e a matemática são disciplinas analíticas (puramente formais e empiricamente vazias). Seguiram Russell ao considerarem as proposições elementares como relatos da experiência imediata e, com base nesta ideia, defenderam que o critério de sentido é a verificação pela experiência. Os juízos de valor, desprovidos de significado à luz deste critério, constituem imperativos (ou expressões de estados emocionais), e não asserções; as asserções de conteúdo religioso e teológico seriam, na melhor das hipóteses, manifestações poéticas. Rejeitaram, contudo, as ontologias analíticas dos seus predecessores. Contra Wittgenstein, defenderam que a linguagem é convencional, e não pictórica ou representativa. Contra Russell, sustentaram que os corpos e as mentes não são menos reais que os acontecimentos, apesar de se tratar de construções e não de elementos.
O Positivismo Lógico foi introduzido nos países de língua inglesa pelo livro de A. J. Ayer Linguagem, Verdade e Lógica (1936). Mas, enquanto atingia o pico da fama filosófica, uma nova tendência encontrava-se já em formação no círculo razoavelmente esotérico de Wittgenstein. A linguagem, sustentava agora na sua nova encarnação filosófica, não é apenas descritiva ou factual; possui uma multiplicidade de usos e o seu significado reside no modo como é empregue. Não contém uma essência lógica cuja natureza cabe à análise revelar; tem, ao contrário, uma história natural, e à filosofia compete a tarefa terapêutica de a descrever e de eliminar as dificuldades conceituais a que dá origem. As crenças que possuímos sobre os estados mentais de outras pessoas, por exemplo, não podem ser analisadas com base nos indícios que deles temos; esses indícios mantêm com as nossas crenças uma relação mais tenue que os "critérios" a que recorremos para as considerar verdadeiras. Esta atitude de acolhimento, ao invés de uma reconstrução ou interpretação em larga escala da discurso corrente, tem afinidades com a prática de Moore relativamente ao senso comum e à linguagem comum. Esta prática assumiu diferentes configurações em Oxford no pós-guerra: recorrendo alegremente a definições, com Ryle, ou escrupulosamente lexicográfica, com A. J. Austin. Foi esta a filosofia linguística centrada em Oxford de 1945 a 1960, quando desapareceu na sua forma original sem deixar rasto.
A análise filosófica, num espírito mais ou menos russelliano, mas assumindo variadíssimas manifestações, manteve-se desde o seu renascimento nos anos sessenta até aos nossos dias. W. V. Quine foi quem mais a desenvolveu, tendo contribuído para a sua difusão. Numa fase ainda inicial da sua carreira rejeitou a ideia de que existe uma clara distinção entre verdades analíticas e não analíticas. Esta rejeição colocou em causa a actividade de análise e assimilou a lógica, a matemática e a filosofia a um resíduo empírico da ciência. A teoria verificacionista do significado foi amplamente criticada, em grande medida por ser auto-refutante, em especial por Popper, que baseou uma nova explicação da ciência na tese de que a falsificabilidade constitui o critério, não do significado, mas do estatuto científico. Os dois espécimes mais notáveis de análise redutiva (a concepção fenomenista dos objectos materiais como sistemas de aparências, actuais ou possíveis, e a teoria comportamentalista dos estados mentais como disposições para agir de modo determinado em circunstâncias particulares) foram, em geral, abandonadas e sujeitas a um escrutínio minucioso nos trabalhos de vários materialistas australianos, por exemplo, D. M. Armstrong e J. J. C. Smart. Defenderam que possuímos, ainda que de forma inerentemente falível, uma consciência directa dos objectos materiais e que os estados mentais de que temos consciência são, na realidade, idênticos aos estados do cérebro que produzem o comportamento.
Não existe hoje assim muita análise nos trabalhos dos mais informados praticantes da filosofia analítica, como Putnam e Nozick. Mas pensam e escrevem no espírito analítico, com respeito pela ciência, e consideram-na um paradigma da crença racional, trabalhando em conformidade com o seu rigor argumentativo, a sua clareza e determinação em pensar de um modo objetivo.
Filosofia Continental
A expressão "filosofia continental" adquiriu o seu significado corrente apenas a seguir à Segunda Guerra Mundial, quando o acelerado processo de mútua exclusão entre a filosofia praticada nos países de língua inglesa e no continente europeu, cuja origem se situa no início do século, finalmente foi reconhecido como tão profundo quanto de fato é. Na Idade Média a filosofia era praticada por pessoas que, independentemente do seu local de nascimento, se expressavam numa língua universal, o latim, considerada a única língua culta, e se deslocavam incessantemente de um centro de ensino para outro. Esta unidade manteve-se durante o Renascimento e sobreviveu ao escritos filosóficos de Bacon e Descartes, em vernáculo. O vernáculo alargou-se bastante tardiamente à Alemanha, e constituiu o veículo das três Críticas de Kant. O seus primeiros escritos foram em latim, tal como os de Leibniz, que também utilizava o francês. Christian Wolf, um discípulo de Leibniz, em cuja escola de pensamento Kant se formou, publicou os seus trabalhos em latim e na língua alemã.
O próprio Locke, cujos escritos foram bastante influentes em França, foi influenciado por Descartes e Gassendi, tendo estudado Malebranche. Hume, que despertou Kant do seu "sono dogmático" leu Bayle (e foi acusado por Samuel Johnson de escrever como um francês). A filosofia escocesa do senso comum foi um elemento central no eclectismo oficial de Victor Cousin durante o período da monarquia de Orleães. Mill estudou Comte e escreveu sobre ele. Green, Bradley e os idealistas absolutos de Inglaterra e da Escócia, estudaram cuidadosamente Kant e Hegel, tendo sido defensores entusiásticos de Lotze. Os filósofos de língua inglesa manifestaram, no entanto, um interesse reduzido pelo neo-kantismo prevalecente na Alemanha do século XIX ou pelo "espiritualismo" dos filósofos franceses do mesmo período. Russell e Moore estudaram, respectivamente, Frege e Brentano, ambos as fontes principais do pensamento de Husserl, ainda que nenhum deles ou qualquer dos seus compatriotas revelasse interesse por Husserl. William James leu Renouvier e Bergson. Contudo, no final da Primeira Guerra Mundial, as ruptura entre as filosofias da Europa continental e da Inglaterra e Estados Unidos, estava já razoavelmente bem estabelecida.
A ruptura foi completa após a Segunda Guerra Mundial. Bergson ainda foi objeto de um breve culto entre alguns filósofos britânicos e Russell levou-o suficientemente a sério para o criticar com algum detalhe. Croce esteve na moda durante um período ainda mais curto, apesar de ter conquistado um discípulo distinto, R. G. Collinwood, que o reconheceu superficialmente. Houve também um brevíssimo interesse por Husserl, mas as restantes luminárias filosóficas do continente europeu durante o período entre as duas guerras foram ignoradas: Brunschvicg, Nicolai Hartmann (um dos seus trabalhos periféricos foi traduzido), Dilthey (que morreu em 1911 mas cuja fama foi em larga medida póstuma), Scheler, Gilson e Cassirer atraíram a atenção dos interessados em história da filosofia; Maritain a dos católicos; Mach, Poincaré e Duhem, para regressar um pouco atrás, a dos filósofos da ciência (Russell reconheceu a sua dívida por Mach e Poincaré no prefácio de Our Knowledge of the External World).
A descoberta de Sartre aquando da libertação da França chamou a atenção geral para o existencialismo e a fenomenologia, à qual estava associado. Heidegger não era totalmente desconhecido. Ryle escrevera respeitosamente, mas sem ocultar um elemento de suspeita, acerca de Sein und Zeit em 1918, e quatro anos depois, num espírito penetrantemente mais crítico, sobre fenomenologia, ainda que, na altura, não houvesse já entre os filósofos britânicos qualquer interesse pela fenomenologia que conviesse repelir. Nos anos trinta, os filósofos da Europa continental lidos atentamente pertenciam ao Círculo de Viena, a maioria dos quais veio a estabelecer-se em países de língua inglesa. Havia a consciência de outros grupos que trabalhavam num espírito semelhante, na Polónia e na Escandinávia, ainda que Twardowski, Hägerström, Kotarbinski e Marc-Wogau fossem pouco mais que nomes para os filósofos britânicos.
Desde 1945, o inicialmente restrito grupo de filósofos de língua inglesa interessados em filosofia continental tem-se alargado lentamente. Um certo número de filósofos alemães e franceses associaram-se a um ou outro ramo da filosofia analítica praticada no estilo anglo-americano. Não existe, todavia, qualquer convergência perceptível entre estes dois universos filosóficos. O existencialismo, o estruturalismo e a teoria crítica são bastante diferentes entre si. O primeiro exalta o indivíduo humano como criador de sentido num mundo de outro modo privado de significado; o segundo proclama a morte do homem e atribui as suas características humanas a certas estruturas mentais, como a linguagem, que define o que o homem é e faz; o terceiro visa libertar a consciência, de forma bastante abstracta, da "existência social" onde o marxismo ortodoxo a mergulhou. Mas, em diferentes graus, todos atribuem maior credibilidade a afirmações dramáticas, e até melodramáticas, que a argumentos racionalmente sustentados.
O existencialismo possui uma longa e distinta tradição. Descende, por um lado, de Kierkegaard e Nietzsche; o primeiro afirma o carácter irredutível dos indivíduos particulares e a ininteligibilidade de Deus, bem como a sua inevitabilidade, o segundo sustenta que o intelecto humano é uma arma na luta pela sobrevivência e pelo poder, não um meio para a contemplação de verdades objectivas. Os existencialistas associaram esta atitude cósmica de grande efeito à fenomenologia de Husserl. Husserl aplicara a sua técnica de inspecção directa da consciência, liberta de pressupostos, principalmente a actividades cognitivas. Os existencialistas aplicaram-na ao homem considerado como agente e portador de desejos e emoções. Heidegger, após ter reunido ambas as coisas num conjunto único em Sein und Zeit, adaptou uma perspectiva meditativa, segundo a qual compete ao filósofo aguardar passivamente as intimações que o Ser possa dirigir-lhe. Sartre acrescentou um grão de pimenta literária e sensibilidade urbana francesa ao primeiro Heidegger. Merleau-Ponty reinstalou o eu cartesiano no corpo de que continuamente tem consciência e sem o qual é incapaz de percepcionar e agir.
O estruturalismo tem uma proveniência mais recente e humilde. Nasceu na Genebra do linguista Ferdinand de Saussure, chegou a França através do antropólogo Lévi-Strauss e proliferou impregnando a crítica literária de Barthes, a psiquiatria de Lacan e o marxismo de Althusser. Podemos dizer que alcançou o seu ponto culminante com Foucault, tendo-se transcendido, em direção a um espaço supra-lunar intelectual, com Derrida. Saussure sustentou que a linguagem não consiste numa acumulação de convenções independentes mas num sistema de interligações no qual cada elemento é o que é em virtude do conjunto de relações que mantém com todos os outros no sistema. Nas mãos de Lévi-Strauss isto conduziu à conclusão de que nada existe de realmente primitivo nas linguagens até então supostamente primitivas e nos povos supostamente primitivos que as falam. Foucault viu na mente humana o predomínio de diferentes formas de representar o mundo em épocas sucessivas, cada uma das quais consistiria num estratagema nietzscheano impessoal para dominar as restantes.
A teoria crítica foi inspirada pela rejeição de Georg Lukács da doutrina marxista ortodoxa, segundo a qual as ideias e crenças dos indivíduos humanos são determinadas totalmente pelas circunstâncias socio-económicas. Os especialistas propriamente ditos da teoria crítica — Horkheimer, Adorno, Marcuse e, na geração subsequente, Habermas — puseram de parte a identificação positivista da racionalidade com o espírito científico, pelo menos na sua aplicação ao homem e à sociedade. Pensaram, neste domínio, que é indispensável apreender as coisas, à maneira de Hegel, como uma totalidade, e não em função dos seus fragmentos abstractos. A influência de Nietzsche está ainda presente, ao defenderem que a linguagem e as ideias podem ser empregues como instrumentos de dominação, porque criadoras de uma "falsa consciência".
Existiram algumas afinidades entre a ética da decisão existencialista e as teorias éticas não cognitivistas, pelo menos em algumas das suas versões mais iconoclastas. A linguística estrutural de Chomsky tinha um certo número de aspectos em comum com a de Saussure, mas, ao contrário dos seguidores de Saussure, combinou-a com um extremismo radical acerca dos costumes e em política. As evidentes intenções políticas da teoria crítica tornaram-na desinteressante para os filósofos analíticos, comprometidos com uma posição neutral. Em caso algum existiu uma conexão suficiente para que se estabelecesse qualquer reaproximação. O desconstrucionismo de Derrida, segundo o qual tudo é texto, um texto susceptível de infindáveis interpretações livres, representa para os filósofos analíticos uma reductio ad absurdum da filosofia, dada a sua incompatibilidade com padrões de verdade, justificação ou consistência lógica. Transforma a filosofia não apenas num jogo, mas num jogo sem regras.
Desconstrução
Termo proposto pelo filósofo francês Jacques Derrida, nos anos sessenta, para um método ou processo de análise crítico-filosófica que tem como objetivo imediato a crítica da metafísica ocidental e da sua tendência para o logocentrismo, incluindo a crítica de certos conceitos (o significado e o significante; o sensível e o inteligível; a origem do ser; a presença do centro; o logos, etc.) que tal tradição havia imposto como estáveis. Do ponto de vista da análise textual, a desconstrução (termo que deve traduzir o original francês "déconstruction", evitando a tradução por "desconstrucionismo", porque não representa nenhuma proposta de escola de pensamento, movimento ou estética literária em particular e marcando-se assim a diferença com o movimento a que se chama desconstrutivismo na arquitectura contemporânea) tornou-se sinônimo de leitura cerrada de um texto (literário, filosófico, psicanalítico, linguístico ou antropológico) de forma a revelar as suas incompatibilidades e ambiguidades retóricas, demonstrando que é o próprio texto que as assimila e dissimula. A desconstrução começa por ser uma crítica do estruturalismo, tornada pública numa célebre conferência de Derrida na Universidade de Johns Hopkins, nos Estados Unidos, em 1967, com o título "La structure, le signe et le jeu dans le discours des sciences humaines". Se o estruturalismo pretendia construir um sistema lógico de relações que governaria todos os elementos de um texto, a desconstrução pretendia ser uma crítica do estruturalismo, que não passava apenas de um dos episódios da tradição metafísica ocidental que merecia ser revisto. Partindo do método especulativo de Nietzsche, da fenomenologia de Husserl e da ontologia de Heidegger, Derrida apresenta a tese inicialmente nas obras L´Écriture et la différence (1967) e De la gramatologie (1967), e tem rejeitado desde então qualquer definição estável ou dicionarizável para aquilo que se entende por desconstrução. A própria compreensão da desconstrução como método crítico ou modelo de análise textual nunca foi reconhecida por Derrida. A divulgação das ideias de Derrida nas Universidades de Johns Hopkins e de Yale, nos Estados Unidos, onde o filósofo francês conferenciou, contribuiu para o alargamento da discussão aos estudos literários, impondo-se internacionalmente como um método de análise textual, apesar das reservas de Derrida. A obra colectiva Deconstruction and Criticism (1979), que inclui ensaios programáticos de Jacques Derrida, J. Hillis Miller, Harold Bloom e Geoffrey Hartman, assegurou a obra de referência que faltava para tal divulgação internacional.
A desconstrução foi enquadrada no chamado pós-estruturalismo, primeiro movimento de auto-crítica e depois movimento de ruptura com o estruturalismo, e divulgou-se de forma mais insistente nos meios universitários norte-americanos, onde conheceu amplos debates nas décadas de setenta e oitenta, sobretudo.
Desconstruir um texto é fazer com que as suas palavras-charneira subvertam as próprias suposições desse texto, reconstituindo os movimentos paradoxais dentro da sua própria linguagem. Derrida fez repensar a forma como a linguagem opera. Desconjuntando os valores de verdade, significado inequívoco e presença, a desconstrução aponta para a possibilidade de escrever não mais como representação de qualquer coisa, mas como a infinitude do seu próprio "jogo". Desconstruir um texto não é procurar o seu sentido, mas seguir os trilhos em que a escrita ao mesmo tempo se estabelece e transgride os seus próprios termos, produzindo então um desvio [dérive] assemântico de différance. Todo o signo só significa na medida em que se opõe a outro signo, por isso se pode dizer que é essa condição da linguagem que constantemente diferencia e adia os seus componentes que concede significância ao signo. Estas teses foram consolidadas por Roland Barthes numa fase já pós-estruturalista, que começa com o artigo "A morte do autor" (1968) e continua nos livros S/Z (1970) e O Prazer do Texto (1973). A teoria de Barthes aproxima-se da de Derrida: a leitura crítica de um texto literário não objetiva um sentido único mas a descoberta da sua pluralidade de sentidos.
O interesse de Derrida no texto literário advém do facto de certos textos transgredirem os limites tradicionais de representação da literatura. A perspectiva do crítico literário em relação à desconstrução é um pouco diferente, pois não está imediatamente preocupado com o facto de certos textos postergarem as categorias da metafísica ocidental mas preocupa-se antes com as propriedades singulares da escrita em si. Quer se seja contra ou a favor de Derrida, há que aceitar que, enquanto método de análise textual, o modelo desconstrucionista que ele propõe funciona efectivamente, obrigando-nos a repensar a forma como o texto é formulado. Se tomarmos em consideração as proposições dissimuladas ou impronunciadas no texto, se revelarmos os buracos negros do texto e os seus suplementos ou contradições internas de maior subtileza, o texto pode significar algo muito diferente daquilo que a princípio parecia querer dizer. Em dadas circunstâncias, um texto pode não querer dizer algo em particular mas várias coisas muito diferentes entre si e em relação ao sentido assumido à partida, eventualmente, pelo autor desse texto. Mostrando os efeitos de différance (o sentido é constantemente diferido e distinguido, inscrevendo-se na cadeia infinita de significados que constitui o texto), marca (nenhum signo é completo em si mesmo, pois remete infinitamente para outro signo através das marcas — conotações, por exemplo — que lhe são inerentes) e disseminação (ou difusão ou propagação dos sentidos num texto, não sendo possível agrupá-los num só nem exercer qualquer espécie de controlo sobre todos os sentidos encontrados ou por encontrar), Derrida mostrou-nos que o texto pode dizer a sua própria história, deixando então entrever um novo texto, que, por sua, está sujeito a idêntico trabalho desconstrucionista, permitindo um retorno dialéctico infinito ao texto. Nesta técnica de leitura, não se valida o antigo pressuposto do New Criticism dos anos 40 e 50 de que o sentido está contido no texto e pode ser controlado, pois ele coexiste e participa no jogo linguístico, que não pode nunca garantir o absolutismo (ou presença) de um sentido (ou interpretação) em relação a outros sentidos (interpretações). A intenção do autor fica sempre dissolvida no jogo diferencial/protelador (jogo da différance) dos significantes.
A proposta de desconstrução do texto introduzida por Derrida foi particularmente bem recebida nos Estados Unidos, como se disse atrás. A chamada Escola de Yale, onde Derrida ensinou, revelou nos anos 70 alguns dos principais teóricos da literatura de hoje: Paul de Man, Harold Bloom, J. Hillis Miller e Geoffrey Hartman. A Escola de Yale desenvolveu não só a filosofia desconstrucionista mas também os estudos freudianos aplicados à literatura. Duas obras iniciais marcaram a actividade e afirmação dos críticos de Yale: Blindness and Insight (1971), de Paul de Man, e The Anxiety of Influence (1973), de Harold Bloom. Paul de Man, que contribuiu decisivamente para um novo rumo para a desconstrução de Derrida, toma o texto literário como um conjunto de potenciais oposições internas que hão-de conduzir irremediavelmente a uma aporia ou impasse; nesse momento, o texto obriga a uma tomada de decisão crítica perante as duas leituras opostas e, quase paradoxalmente, uma leitura desconstrucionista será aquela que não deixar que tal decisão penda para qualquer dos lados. Um outro livro de Paul de Man, Allegories of Reading (1979), dá melhor conta desta engrenagem técnica, assumindo que toda a leitura é necessariamente retórica, por isso sujeita a diferentes interpretações. Estudando a linguagem simbólica romântica, de Man conclui que o figurativo não é um exclusivo da linguagem poética mas de toda a linguagem, que é, por definição, alegórica, portanto, irrepresentável estruturalmente.
A tese de Harold Bloom em The Anxiety of Influence resume-se a uma polémica perspectiva que prevê que um poeta ou escritor age sempre em função de um modelo literário que lhe é anterior, um grande "precursor", que ele tem que "enfrentar", para resolver a angústia dessa influência, a qual, em termos radicalmente freudianos, exige igualmente a substituição do próprio modelo inspirador ou "pai". Desta forma, também não existem interpretações desubjectivadas, mas sim tergiversações ou misreadings de leituras anteriores.
Em Saving the Text - Literature/Derrida/Philosophy (1981), Geoffrey Hartman procurou fazer vingar a desconstrução de Derrida, explorando as potencialidades das leituras cerradas no estilo derridiano, destancando o(s) livro(s) inqualificável(eis) e intraduzível(eis): Glas, que considera um acontecimento ímpar na história literária. Contudo, as leituras que noutras obras faz de Wordsworth ou Shakespeare, por exemplo, revelam que Hartman não perdeu totalmente de vista uma forma de abordagem textual mais directamente interpretativa do que desconstrucionista.
J. Hillis Miller, que só na década de 80 publicará um livro de referência como Fiction and Repetition: Seven English Novels (1982), divergiu do dogma estruturalista da possibilidade de um conhecimento sistemático do texto. Miller usou recorrentemente a noção de abyss structure (ou mise en abyme) para mostrar como a linguagem está permanentemente sujeita aos jogos linguísticos. Além disso, a desconstrução não é tanto um método de análise literária, mas algo que o texto já fez a si próprio. O texto já está de alguma forma desconstruído quando o vamos ler. Resta ao crítico descobrir e usar a engrenagem retórica que o texto esconde. Alguns críticos derridianos defendem que a desconstrução é uma associação entre interpretação e semiótica, para determinar como é que um texto significa, mais do que uma prática hermenêutica que vise determinar o que é que significa. Mais recentemente, em The Linguistics Moment - From Wordsworth to Stevens (1985), Hillis Miller tentou distanciar-se de certas aproximações da desconstrução à hermenêutica, considerando a prática desconstrucionista ou interpretação retórica como uma prática crítica, que não se identifica nem com uma hermenêutica nem com uma poética.
Depois de Gadamer e na esteira de Paul de Man, Paul Ricoeur e William V. Spanos, editor de uma das mais radicais revistas pós-estruturalistas, boundary 2, tem-se descrito igualmente a desconstrução como uma hermenêutica negativa, isto é, um projecto que não vise restaurar o sentido de um texto perdido na história, mas antes recorrer a conceitos modernos para abalar ou questionar criticamente tal sentido histórico. Ricoeur, um filósofo fenomenologista que virá a ter grande influência na mais recente teoria literária — autor de La Métaphore vive (1975), Temps et récit, 3 vols. (1983-85) e Soi-même: Comme un autre (1990); em tradução portuguesa, destacamos: O Conflito das Interpretações: Ensaios de Hermenêutica (1ªed., 1969) e Do Texto à Acção: Ensaios de Hermenêutica II (1986) —, reclama uma hermenêutica que não mais se reduza à idolatração deste autor ou daquele texto.
A relação do que se entende por pós-estruturalismo com a questão da interpretação textual está, pois, longe de ser mais consensual do que antes, durante as discussões no seio do New Criticism norte-americano e do estruturalismo francês sobre o valor da interpretação na teoria literária. No ensaio "Tradition and Difference" (Diacritics, 2, 1972), Hillis Miller, seguindo a lição de Nietzsche já salientada por Derrida na conferência de 1966, na Johns Hopkins University, repete que o mesmo texto permite várias interpretações e que nenhuma interpretação pode ser absoluta ou "correcta". M. H. Abrams, crítico da tradição historicista, manifestou a sua discordância quer em relação a Derrida quer a Hillis Miller, no ensaio "The Deconstructive Angel" (Critical Inquiry, 3, 1977), sustentando que tal premissa era falsa, pois implica que toda e qualquer interpretação histórica e racional esteja errada à partida. Frederic Jameson, um crítico do marxismo literário, no livro The Political Unconscious, salienta que a actividade hermenêutica ou interpretativa é um dos principais objectivos do pós-estruturalismo de origem francesa. Jonathan Culler, inicialmente estruturalista convicto e, depois de On Deconstruction (1983), continua contrário à interpretação, tal como procedia enquanto estruturalista. David Lodge, num artigo importante, "Deconstruction", publicado no Guardian (8-4-1988), concorda que a desconstrução abre o texto a múltiplas interpretações. Publicando The Critical Difference: Essays in the Contemporary Rhetoric of Reading (1980) e A World of Difference (1987) , uma das mais recentes teóricas da desconstrução aplicada à literatura, Barbara Johnson, assumida discípula de Paul de Man, ofereceu-nos uma série de leituras desconstrucionistas de Roland Barthes, Herman Melville, Edgar Allan Poe, Jacques Lacan e Jacques Derrida, que se tornaram clássicas no genero, alargando o âmbito da desconstrução a outras questões como a crítica feminista, as políticas do genero ou as diferenças raciais e sexuais.
Os críticos da desconstrução de Derrida têm fundamentado as suas observações sobretudo no estilo hermético e excessivamente retórico do filósofo francês, que se entretém com complexos jogos de linguagem e engenhosos conceitos. Mas Derrida defende que o jogo faz parte da própria natureza da linguagem. Outra crítica comum consiste no grau de arbitrariedade que a desconstrução implica: se a linguagem e a metafísica são estruturadas pelas diferenças, não é possível fundar nenhum tipo de critério ou criar uma referência que sirva de orientação no processo de interpretação de uma obra de arte, por exemplo, o que significará sempre que tudo é aparentemente permitido e nada permanece: nem o sentido do texto, nem o autor, nem a autoridade do leitor. Esta posição deriva de um entendimento da desconstrução como mera destruição do texto, correlação que os desconstrucionistas se têm esforçado por negar.
Existencialismo
O Existencialismo difundiu-se como o pensamento mais radical a respeito do homem na época contemporânea. Surgiu em meados do século XIX com o pensador dinamarquês Kierkegaard e alcançou seu apogeu após a Segunda Grande Guerra, nos anos cinqüenta e sessenta, com Heidegger e Jean Paul Sartre.
A corrente existencialista assimilou ainda uma influência da fenomenologia cuja figura principal, Husserl, já citado, propõe a descrição dos fenômenos tais como eles parecem ser, sem nenhum pressuposto de como eles sejam na verdade. Para o existencialismo, a fenomenologia de Husserl significou um interesse novo no fenômeno da consciência.
Reunindo as sínteses do pensamento de cada um desses filósofos podemos listar os postulados principais dessa corrente filosófica que são:
1. A primeira é o ser humano enquanto indivíduo, e não com as teorias gerais sobre o homem. Há uma preocupação com o sentido ou o objetivo das vidas humanas, mais que com verdades científicas ou metafísicas sobre o universo. Assim, a experiência interior ou subjetiva - e aí está a influência da fenomenologia - é considerada mais importante do que a verdade "objetiva", um fundamento igual à da filosofia oriental.
2. O homem não foi planejado por alguém para uma finalidade, como os objetos que o próprio homem cria, mediante um projeto. O homem se faz em sua própria existência.
3. O mundo, como nós o conhecemos, é irracional e absurdo, ou pelo menos está além de nossa total compreensão; nenhuma explicação final pode ser dada para o fato de ele ser da maneira que é;
4. A falta de sentido, a liberdade conseqüente da indeterminação, a ameaça permanente de sofrimento, da origem à ansiedade, à descrença em si mesmo e ao desespero; há uma ênfase na liberdade dos indivíduos como a sua propriedade humana distintiva mais importante, da qual não pode fugir
O dinamarquês Soren Aabye Kierkegaard (1813-1855), encontra sua posição filosófica ao insurgir-se contra posições aristotélicas remanescentes na filosofia, o que faz opondo-se à filosofia de Hegel (1770 - 1831). Kierkegaard não só rejeitou o determinismo lógico de Hegel (tudo está logicamente predeterminado para acontecer) como sustentou a importância suprema do indivíduo e das suas escolhas lógicas ou ilógicas.
Kierkegaard contribuiu com a idéia original do existencialismo de que não existe qualquer predeterminação com respeito ao homem, e que esta indeterminação e liberdade levam o homem a uma permanente angústia.
Segundo Kierkegaard, o homem tem diante de si várias opções possíveis, é inteiramente livre, não se conforma a um predeterminismo lógico, ao qual, segundo Hegel, estão submetidos todos os fatos e também as ações humanas. A verdade não é encontrada através do raciocínio lógico, mas segundo a paixão que é colocada na afirmação e sustentação dos fatos: a verdade é subjetividade. A conseqüência de ser a verdade subjetiva é que a liberdade torna-se ilimitada. Consequentemente não se pode, também, fazer qualquer afirmativa sobre o homem. O pensamento fundamental de Kierkegaard, e que veio a se constituir em linha mestra do Existencialismo, é este: inexiste um projeto básico, para o homem verdadeiro, uma essência definidora do homem porque cada um se define a si mesmo e assim é uma verdade para si. Daí o moto conhecido que sintetiza o pensamento existencialista: "no homem, a existência precede a essência"
No caminho da vida há várias direções, vários tipos de vida a escolher, dentro de três escolhas fundamentais: o modo de vida estético, do indivíduo que não busca senão gozar a vida em cada momento; o modo ético, do indivíduo que é maquinalmente correto com a família e devotado ao trabalho, e o modo religioso dentro de uma consciência de fé.
A liberdade, segundo ele, gera no homem a angústia que pode levá-lo, de várias formas, ao desespero Então, cada decisão é um risco, o que deixa a pessoa mergulhada na incerteza, pressionada por uma decisão que se torna angustiante. Como no modo de vida estético, ele escolhe fugir dessa angústia e do desespero através do prazer e de buscar a inconsciência de quem ele é. Outra forma de fuga é ignorar o próprio eu, tornar-se um autômato, apegar-se a um papel, como no modo de vida ético.
O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) declarou-se um investigador da natureza do Ser. Heidegger contribuiu com seu pensamento sobre o ser e a existência, de onde o nome dado à corrente filosófica de "Existencialismo".
A angustia tem, no pensamento de Heidegger, origem diversa da liberdade. Para ele a angústia resulta da falta da precariedade da base da existência humana. A "existência" do homem é algo temporário, paira entre o seu nascimento e a morte que ele não pode evitar. Sua vida está entre o passado (em suas experiências) e o futuro, sobre o qual ele não tem controle, e onde seu projeto será sempre incompleto diante da morte inevitável.
Como uma filosofia do tempo, o existencialismo exorta o homem a existir inteiramente "aqui" e "agora", para aceitar sua intensa "realidade humana" do momento presente. O passado representa arquivos de experiências a serem usadas no serviço do presente, e o futuro não é outra coisa que visões e ilusões para dar ao nosso presente direção e propósito..
Portanto, no homem, o ser está relacionado ao tempo e está dado, - existe -, em três fenômenos, três "existenciais" que caracterizam como as coisas do passado, do presente e do futuro se manifestem para o homem e a unidade desses três fenômenos constitui a estrutura temporal que faz a existência inteligível, compreensível. São a afetividade, com que se liga ao passado pelo seu julgamento; a fala, com que se liga ao presente, e o entendimento, que é a inteligência com que lida com o seu futuro, com a angústia de sua predestinação à morte. Não podemos nos submeter a condicionamentos de nosso passado; não podemos permitir que sentimentos, memórias, ou hábitos se imponham sobre nosso presente e determinem seu conteúdo e qualidade. Nós também não podemos permitir que a ansiedade sobre os eventos futuros ocupem nosso presente, tirem sua espontaneidade e intensidade. Não podemos permitir que nosso "aqui e agora" seja liquidado
Na angústia, o homem experimenta a finitude da sua existência humana. Todas as coisas supérfluas em que estava mergulhado se afastam deixando-o a nú, como uma liberdade para encontrar-se com sua própria morte (das Freisein für den Tod), um "estar preparado para" e um contínuo "estar relacionado com" sua própria morte (Sein zum Tode). Essa visão existencial do homem, em que ele se conscientiza das estruturas existenciais a que está condicionado e que o tira da superficialidade em que desenvolve seus conflitos tornou-se sedutora para a psiquiatria.
A angústia funciona para revelar o ser autêntico, e a liberdade (Frei-sein) enseja o homem a escolher a si mesmo e governar a si mesmo.
Heidegger e Sartre foram os dois mais importantes filósofos da corrente existencialista. Ambos foram profundamente influenciados pela filosofia de Edmund Husserl, a fenomenologia, e desenvolveram um método fenomenológico como base de suas respectivas posições filosóficas. Sartre contribuiu com mais pensamentos sobre a liberdade e chefiou dentro do movimento uma corrente ateísta.
Para Jean-Paul Sartre (1905-1980), a idéia central de todo pensamento existencialista é que a existência precede a essência. Não existe nenhum Deus que tenha planejado o homem e portanto não existe nenhuma natureza humana fixa a que o homem deva respeitar. O homem está totalmente livre é o único responsável pelo que faz de si mesmo. E são para ele, assim como havia colocado Kierkegaard, esta liberdade e responsabilidade é a fonte da angústia,
Sartre leva o indeterminismo às suas mais radicais conseqüências. Porque não há nenhum Deus e portanto nenhum plano divino que determina o que deve acontecer, não há nenhum determinismo. O homem é livre. Não pode desculpar sua ação dizendo que está forçado por circunstâncias ou movido pela paixão ou determinado de alguma maneira a fazer o que ele faz.
O pensamento de Sartre, contido em seus romances e peças de teatro e em escritos filosóficos influenciou fortemente os intelectuais franceses, entre eles Gabriel Marcel, que desenvolveu sua filosofia no âmbito do catolicismo romano, tornando-se um expoente do existencialismo cristão.
Apesar do precursor do existencialismo, Soren Kierkegaard, ser profundamente cristão, os principais filósofos que o desenvolveram e divulgaram, Martin Heidegger e Jean Paul Sartre, eram ateus, com uma filosofia materialista, bastante pessimista e atéia. Surgiu porém uma corrente existencialista cristã, sendo o principal filósofo dessa corrente o filósofo Gabriel Marcel.
Marxismo
Karl Heinrich Marx foi um filósofo, cientista político, e socialista revolucionário muito influente em sua época, até os dias atuais. É muito conhecido por seus estudos sobre as causas sociais. Teve enorme importância para a política européia, ao escrever o Manifesto Comunista, juntamente com Friedrich Engels, que deu origem ao "Marxismo", citado adiante. Foi um ativista do movimento operário europeu, no chamado International Workingmen’s Association (IWA), também conhecido como First International.
A influência de suas idéias atingiram todo o mundo, como na vitória dos Bolcheviques na Rússia. Enquanto suas teorias começaram a declinar quanto à popularidade, especialmente após o colapso do regime Soviético, elas continuam sendo muito utilizadas hoje, em movimentos trabalhistas, práticas políticas, movimentos políticos.
O marxismo se baseia no materialismo e o socialismo científico, constituindo ao mesmo tempo uma teoria geral e o programa dos movimentos operários. Em razão disso, o marxismo forma uma base de ação para estes movimentos, porque eles unem a teoria com a prática. Para os marxistas, o materialismo é a arma pela qual é possível abolir a filosofia como instrumento especulativo da burguesia (o Idealismo) e fazer dela um instrumento de transformação do mundo a serviço do proletariado (força de trabalho). Este conceito tem duas bases: o materialismo dialético e o materialismo histórico. O primeiro coloca a simultaneidade da matéria e do espírito, e a constituição do concreto por uma evolução concebida como "desenvolvimento por saltos, catástrofes e revoluções", causando uma evolução em um grau mais alto, graças a "negação da negação" (dialética).
O materialismo histórico coloca que a consciência dos homens é determinada pela realidade social, ou seja, pelo conjunto dos meios de produção, base real sobre a qual se eleva uma super estrutura jurídica e política e à qual correspondem formas de consciência social determinada.
Analisando o capitalismo, Marx desenvolveu uma teoria para o valor dos produtos: o valor é a expressão da quantidade de trabalho social utilizado na produção da mercadoria. No sistema capitalista, o trabalhador vende ao proprietário a sua força de trabalho, muitas vezes o único bem que têm, tratada como mercadoria, e submetida às leis do mercado, como concorrência, baixos salários. "Ou é isto, ou nada. Decida-se que a fila é grande". A diferença entre o valor do produto final e o valor pago ao trabalhador, Marx deu o nome de mais-valia, que expressa, portanto, o grau de exploração do trabalho. Os empregadores tem uma tendência natural de aumentar a mais-valia, acumulando cada vez mais riquezas.
Após a Segunda Guerra Mundial, o marxismo teve um crescimento considerável, principalmente em países do terceiro mundo, onde se constituiu como ponto de referência para os movimentos de libertação nacional. Este crescimento foi acompanhado de desenvolvimentos e divisões: a crítica ao Stalinismo na antiga URSS e suas práticas nos países ocidentais, a ruptura entre URSS e a China, a análise do imperialismo por militantes políticos, como Ho Chi Minh, no Vietnã e Fidel Castro em Cuba.
Neopragmatismo
Neopragmatismo, algumas vezes chamado de pragmatismo linguístico, é um termo filosófico recente (existente desde a década de 1960) utilizado para denominar a filosofia que reintroduziu muitos dos conceitos do pragmatismo. O termo já esteve associado com vários pensadores, entre eles Richard Rorty, Hilary Putnam e W.V.O Quine, apesar de nenhum destes autodenominar-se "neopragmatista".
Desde tempos imemoriais o ser humano vem se afligindo com questões cruciais a respeito de sua própria existência. Num círculo vicioso, passará da incerteza à perplexidade; da perplexidade às concepções mitológicas; da mitologia às teorias pretensamente racionais; das teorias à certeza; e da certeza novamente à incerteza e à perplexidade. Ele se deu conta de que a contrapartida do poder da mente humana era, paradoxalmente, a sua (da mente humana) limitação para explicar as questões relativas a si mesmo e ao mundo em que vivia. O fascínio diante do universo fê-lo imaginar-se como um ser único em toda a natureza, no mundo animal, vegetal ou químico, crença nutrida em bases míticas e teológicas; a ponto de levá-lo a retratar-se como sendo a imagem e semelhança de Deus. Daí, maravilhado com essa imaginária distinção, o homem buscou interpretá-la com a faculdade de que é peculiarmente dotado: a razão. Com efeito, não houve momento de sua história - por mais que estivesse perdido na escuridão da ignorância a respeito dessas questões - em que ele não se arriscasse a "raciocinar" sobre as mesmas, e engendrar visões de mundo consentâneas com as várias etapas do seu desenvolvimento. E se sempre foi assim na história da humanidade, não haveria de ser diferente nos dias de hoje; estranhável seria se assim não o fosse.
Há que se admitir, portanto, que o homem contemporâneo - a despeito do considerável domínio da natureza e das magníficas realizações do pensamento - continua a vivenciar angústias tais que ainda é possível vê-lo com aquele mesmo medo da fúria dos deuses, manifestada através dos raios e dos trovões. Não obstante o fato de a filosofia ter-lhe acenado com a possibilidade de buscar a certeza sobre novas concepções de mundo, a própria filosofia colocou-lhe perguntas para as quais não consegue encontrar resposta. Dentre estas perguntas, as referentes à origem e a natureza da linguagem humana são provavelmente as mais instigantes, pois elas se apresentam como uma preliminar à problemática do conhecimento em si. Ora, se é com a linguagem que essas intrincadas questões hão de ser explicadas (se é que um dia serão...), coloca-se aos filósofos e aos lingüistas o problema adicional de o objeto do seu estudo (a linguagem) ter que explicar-se a si mesmo. Em suma: trata-se do desafio de explicar enunciados (necessariamente lingüísticos) com outros enunciados necessariamente lingüísticos. Daí, continuarem sem resposta as seguintes indagações: qual a origem da linguagem humana? É fruto de evolução ou é uma faculdade em estado latente no "Homo sapiens sapiens" desde que este apareceu na face da terra, dependendo simplesmente de cultivo? O pensamento é conseqüência da linguagem, ou "vice-versa"? Poderia haver pensamento extra-linguístico, isto é, que não dependesse da linguagem para ser pensado? Teria a linguagem a capacidade de expressar todos os pensamentos que ocorrem ao ser humano, por mais intrincados e difusos que sejam?
Além da importância intrínseca do fenômeno lingüístico, por conseguinte, há que assinalar a sua relevância, e mesmo indispensabilidade, para o estudo da história do homem e das suas relações com os semelhantes e com o mundo (físico e metafísico...). Se não se podem encontrar respostas para perguntas tão complexas, isto não tem impedido, todavia, o extraordinário desenvolvimento do pensamento ao longo dos tempos, coincidentemente paralelo ao desenvolvimento da linguagem articulada.
De um ponto de vista pragmático - referente às potencialidades da linguagem não só para a comunicação humana, como, igualmente, para a elaboração de raciocínios complexos - os estudos direcionados a saber como funciona a linguagem corrente, no dia-a-dia, ganham realce; e será fundamental sobretudo conhecer os mecanismos que presidem a aquisição (processo instintivo) e a aprendizagem (processo intencional) da língua, e igualmente o ensino.
Ainda nestes aspectos específicos, as teorias estritamente lingüísticas serão insuficientes para orientar os homens na compreensão do fenômeno da linguagem. Não será possível uma explicação da mesma como sendo um fenômeno autônomo. A comunicação e a elaboração de raciocínios complexos dizem respeito, sim, à faculdade autônoma da linguagem articulada, mas esta última está inextrincavelmente ligada a fatores culturais, sociais, psicológicos, antropológicos e históricos.
Cumpre, antes de tratar especificamente do pramatismo lingüístico, tecer algumas considerações genéricas sobre o pragmatismo como atitude filosófica.
Como sugerido no excerto acima, de Rorty, o pragmatismo não é uma teoria nem propriamente uma escola metodológica. Trata-se de uma atitude em face do problema do conhecimento; de uma alternativa ao ceticismo e à tradição clássica; de uma abordagem que utilizará as metodologias disponíveis e que possam ser úteis ao sujeito cognoscente, isto é, ao "conhecedor", a seu critério e de acordo com a sua visão de mundo. Embora o pragmatismo considere o conhecimento como sendo arracional (insuscetível de ser racionalizado), reconhece a possibilidade de o sujeito cognoscente poder fazer escolhas racionais com base na maior ou menor utilidade para a hipótese em questão. Assim, por exemplo, diante de duas teorias, não buscará saber qual é a verdadeira ou mais consistente do ponto de vista de uma racionalidade a elas imanente. Através de uma avaliação personalista, calculará a utilidade - também personalista - de escolher entre uma e outra. A verdade de uma proposicão estará, então, condicionada à sua verificabilidade, ou seja, dependerá de sua conseqüência prática e do seu valor para a vida concreta. Se uma teoria diz que a criança aprende por imitação, é possível que ela não seja de todo verdadeira, mas será possível verificar que uma das estratégias utilizadas pela criança é realmente a imitação (Brown, 1994, p.38). Se uma teoria sustenta que há uma idade crítica ("Critical Period Hypothesis"), para se aprender bem a própria língua materna não será difícil verificar que, até certo ponto, a afirmação tem sentido (Brown, op.cit., pp. 52/53; e Lightbown & Spada, 1993, p. 11).
Embora ao longo do tempo as críticas às atitudes especulativas de busca de verdades "a priori" já se tivessem corporificado, a discussão sempre se deu em torno de se saber se a fundamentação racional do conhecimento era possível ou não, tendo a resposta positiva a essa questão prevalecido. Filósofos de todas as épocas se empenharam em apresentar argumentos e teorias contra e a favor, sem, contudo, rejeitar integralmente o pressuposto da "necessidade" de fundamentação racional do conhecimento. Daí, o campo propício à expansão das tendências aos estudos pragmáticos, ensaiados pelos utilitaristas ingleses, porém consolidados pela filosofia norte-americana.
As origens próximas do pragmatismo, portanto, vão ser encontradas na filosofia estadounidense da virada deste século, particularmente na filosofia de William James e John Dewey, os quais se empenharam em trazer para a área das ciências humanas os métodos experimentais. Seria suficente assinalar que William James foi o primeiro norte-americano a organizar um laboratório de psicologia experimental; e que John Dewey criou a primeira escola experimental da história da Educação.
Como nos informa William James, a palavra pragmatismo (do grego pragma = ação) foi introduzida pela primeira vez em filosofia por Charles Peirce, em 1878. Segundo esse autor, Peirce afirmava que nossas crenças nada mais são do que regras de ação, e que o importante é determinar que condutas o pensamento está apto a produzir. Na visão de James, todavia, embora em toda a história do pensamento sejam identificadas abordagens de cunho pragmático, tais abordagens se deram de forma fragmentária, sem que seus propugnadores abandonassem de todo concepcões tradicionais: (1974, p. 12)
"O pragmatista volta as costas resolutamente e de uma vez por todas a uma série de hábitos inveterados, caros aos filósofos profissionais. Afasta-se da abstração e da insuficiência, das soluções verbais, das más razões
a priori, dos princípios firmados, dos sistemas fechados, com pretensões ao absoluto e às origens. Volta-se para o concreto e o adequado, para os fatos, a ação e o poder. O que significa o reinado do temperamento empírico e o descrédito sem rebuços do temperamento racionalista. O que significa ar livre e possibilidades da natureza, em contraposição ao dogma, à artificialidade e à pretensão de finalidade na verdade".
Essas tendências pragmatistas se consolidam em meio às tentativas de oferecer alternativas à visão de David Hume, cético quanto a qualquer possibilidade de fundamentação racional do conhecimento científico, isto é, qualquer tentativa de fundamentação "a priori" com a pretensão de estabelecer nexo teórico entre fins e meios. Nas palavras de Watkins (1984), este ceticismo de Hume pode ser descrito como sendo: a) "antiapriorista"; b) "experiencialista"; e c) "dedutivista". Assim, o conhecimento, para Hume, não pode ser explicado "a priori", depende da experiência do dia-a-dia, e não pode ser justificado por inferências indutivas, ou seja, por raciocínios que possam predizer o que vai acontecer a partir do já acontecido e das nossas percepções. Depois de extensos comentários sobre a contundência dos argumentos de David Hume, Watkins sintetiza de forma clara e precisa o ceticismo humeano: (1984: 3)
"Para que qualquer enunciado factual
h constitua conhecimento, é preciso que existam premissas verdadeiras e que se reportem a h e das quais h é logicamente derivável. Mas se h fala do mundo exterior e e fala apenas de experiências perceptuais, h vai além de e, e, portanto, não pode ser logicamente derivada de e."
Após descrever o que, para ele, é um resumo das principais estratégias tentadas por outros filósofos para responder ao ceticismo humano, e após mostrar as inconsistências de todas elas, Watkins elabora a alternativa do que chama de conjeturalismo, que procura distinguir do pragmatismo, ainda que vendo em ambos "semelhanças superficiais" quanto a propiciar meios para fazer escolhas racionais entre hipóteses radicalmente incertas ou mesmo contrárias. Para ele, a vantagem do seu conjeturalismo - na qual residiria a diferença crucial - é a de que as escolhas são presididas por propósitos "cognitivos", enquanto no pragmatismo tais escolhas teriam propósitos não-cognitivos, entendendo ele por propósito "cognitivo", por exemplo, a busca da verdade, a maximização da probabilidade, um entendimento mais profundo ou uma melhor explicação, e não, por exemplo (e aí vai uma crítica mordaz aos pragmatistas assumidos), evitar problemas com as autoridades ou causar impressão de profundidade e erudição).
A expressão "evitar problemas com as autoridades" pode ser associada à referência que o autor faz ao célebre exemplo do apostador de Pascal (apresentado por Watkins como um caso típico de atitude pragmatista). Extremamente religioso, Pascal valeu-se desta fórmula para demonstrar que acreditar em Deus era, antes de tudo, o melhor para o homem, independentemente de Deus existir ou não. Não se tratava da crença em si, mas na "vantagem" pessoal de acreditar. Assim, se eu aposto que Deus não existe, só há duas possibilidades: se Deus não existir, eu ganho tudo; mas se Deus existir, eu perco tudo, quer dizer, estou condenado ao inferno; se, entretanto, eu aposto que Deus existe, também só há duas possibilidades: se Deus existir, eu ganho tudo; mas se Deus não existir eu nada perco.
Importante observar que, apesar das críticas aos pragmatistas, na essência Watkins não se situa muito longe deles, embora as idéias de "busca da verdade e de entendimento mais profundo", presentes no seu conjeturalismo, de certa forma reponham a crença na possibilidade de o conhecimento científico poder ser justificado racionalmente.
No que tange especificamente ao pragmatismo linguístico, na forma como posteriormente se consolidou, releva citar o "segundo" Wittgenstein (como se sabe, depois de se desiludir com a filosofia por um longo período, Wittgenstein mudou completamente a sua visão de mundo, voltando às reflexões filosóficas como se fosse um outro Wittgenstein, inclusive repudiando muito do que ele próprio escrevera anteriormente). Conforme assinalou Silva (l993:12), é na filosofia do segundo Wittgenstein que tem origem o antifundacionismo (a negação da possibilidade de fundamentação racional do conhecimento), sendo "o primeiro filósofo a propor uma estratégia indiferente à fundamentação da gênese do conhecimento". Com efeito, parece ter sido sobretudo depois que se dedicou durante anos ao ensino de crianças (coincidentemente na mesma linha de preocupação educacional de John Dewey) que Wittgenstein reconsiderou as formulações que fizera sobre como funciona a linguagem humana. O primeiro Wittgenstein enveredara, no Tratactus Logico-Philosophicus, pelo caminho movediço tradicional de tentar estabelecer, abstratamente, paralelo entre o pensamento e a linguagem. Aderira à teoria segundo a qual a linguagem humana se estrutura de acordo com padrões dados, "a priori", na mente; e que é possível, em conseqüência, ir além dos sentidos e da experiência para compreender o mundo e explicá-lo. O segundo Wittgenstein parece ter então concluído pela pouca utilidade de se buscar identificar nexo lógico entre as proposições, consideradas em si mesmas, e a pretensa realidade representada por elas; ou seja, entre a forma e o sentido, entre o significante e o significado. Em suma, não passaria de um mero exercício de semântica formal, sem nenhuma utilidade prática.
Para o segundo Wittgenstein, destarte, não mais será importante especular sobre as propriedades intrínsecas das proposições. Importará saber, a partir da observação empírica, como funcionam o que rotulou de "jogos da linguagem", vistos por ele como parte de uma atividade, ou - como também chamaria - "formas de vida".
Contemporaneamente, o pragmatismo tem seguido junto a outras tendências na busca de estratégias que centrem no sujeito cognoscente, e não no objeto do conhecimento, a possibilidade de fazer escolhas racionais. E este parece ser o desafio aos filósofos da atualidade. Richard Rorty (1980), apontando esses "desenvolvimentos filosóficos" recentes, e após erigir Wittgenstein, Heidegger e Dewey como heróis do seu Philosophy and the Mirror of Nature, posiciona-se, junto com os chamados filósofos analistas, ao lado dos pragmatistas, diferentemente de Watkins, numa atitude resolutamente anti-fundacionista, sendo relevante assinalar a importância que Rorty dá à linguagem, pois, apesar de se referir episodicamente à linguagem em várias partes do livro, particularmente no capítulo IV, dedica um capítulo inteiro, o VI ("Epistemology and Philosophy of Language"), às intrincadas questões da linguagem humana e suas necessárias conexões com as indagações sobre o conhecimento em geral.
PRAGMÁTICA LINGÜÍSTICA
A pragmática lingüística, que, pode-se dizer, é a materialização, no estudo de línguas e na comunicação, do pragmatismo lingüístico, tem tido uma carreira atribulada desde que começou a firmar-se no início da década de 1970, embora, como nos dão conta Akmajian e outros (1995, p. 339), tenha sido Charles Morris quem, em 1938, propôs a divisão tricotômica do estudo da língua em: sintaxe, semântica e pragmática, tendo definido esta última por "the study of the relation of signs to interpreters", e, mais tarde, por "the relation of signs to their users".
O interesse pelos estudos pragmáticos e o seu desenvolvimento devem-se grandemente a estudos realizados inicialmente por filósofos, como já referi. Nada obstante, como se verá adiante, ainda hoje não se tem uma delimitação clara do campo de investigação da pragmática. Trata-se, sem dúvida, de um ramo da lingüística, mais precisamente, da lingüística aplicada, o qual enfoca prioritariamente a linguagem oral, e ainda assim dentro dos limites em que ela (a pragmática) se encontra com as disciplinas afins acima aludidas. Interessa-se pela linguagem como forma de comunicação humana, sendo relevantes aqui os chamados jogos da linguagem e as formas de vida de Wittgenstein, como num jogo em que as regras não estão explícitas mas o jogador as vai aprendendo - e criando novas regras - à medida que o jogo se desenvolve.
Embora a pragmática lingüística já tivesse sido delineada nos estudos de Wittgenstein desde a década de 1950, só recentemente passou a constituir-se como um campo de investigação autônomo.
No campo especificamente lingüístico, a pragmática vai originar correntes de estudo diversas: a Lingüística Aplicada, a Análise do Discurso, a Análise do Erro etc; e novas teorias de aquisição/aprendizagem/ensino de línguas, não só da língua nativa, mas principalmente da língua estrangeira/segunda língua). Assumem papel de relevo nesses estudos - no mundo anglófono - Malcolm Coulthard, M. A. K. Halliday, Ruqaia Hasan, Gillian Brown, George Yule, Jack C. Richards, Evelyn Hatch, Rod Ellis, Guy Cook, e outros listados na bibliografia ao final deste texto.
Diante da aparente impossibilidade de fundamentação racional do conhecimento científico. Ou mais precisamente, diante da contundência do ceticismo humano a respeito da sua natureza, as ciências humanas acabam por encontrar outras formas de buscar o seu próprio desenvolvimento, independentemente daquelas pretensamente fundadas em verdades a priori. Ao invés de se indagar sobre a essência do conhecimento, vai-se procurar, nos contextos onde se desenvolvem as atividades humanas, observar as diferentes "formas de vida", na expressão de Wittgenstein. Embora muitos filósofos acreditem na possibilidade de fundamentação racional do conhecimento, seja para justificar o conhecimento em geral, seja para justificar esta ou aquela teoria especificamente, a realidade não tem estado ao lado deles. Em conseqüência, as correntes filosóficas de tendências pragmatistas ganham terreno, embora os seus adeptos nem sempre utilizem este termo para designar a sua filosofia - como parece ser o caso de Watkins.
Quanto aos estudos especificamente lingüísticos, o pragmatismo parece ter provocado uma verdadeira revolução. A lingüística pura não consegue mais se impor como ciência teórica, como ocorria há apenas menos de três décadas atrás. E também não consegue delimitar claramente o seu campo de atuação. A pragmática lingüística ("pragmatics") ganha cada vez mais terreno, incursionando na área de outras disciplinas, como a sociologia, a antropologia, a psicologia, e a própria filosofia da linguagem, e vice-versa. Na realidade, estudar lingüística aplicada é estudar, de forma relativamente difusa: semiótica, pragmática, análise do discurso, sociolingüística, psicologia lingüística, antropologia lingüística e mesmo filosofia lingüística.
Neoconfucionismo
Confucionismo, o sistema filosófico fundado sobre o ensino de Confúcio (551 - 479 aC), dominada chinês sociopolítica vida para a maioria dos chineses história e influenciou largamente as culturas da Coréia, Japão e Indochina.
A Escola confucionismo funcionado como um terreno recrutar para cargos governamentais, que eram preenchidas por aqueles pontuação mais alta em exames no confucionismo clássicos.
Também lotados com populares e importados religiões e passou a ser o veículo para articular costume chinês para os camponeses.
A escola da Autoridade doutrinas políticas apoiadas utilizando a teoria do mandato do céu.
Ele tentou ajudar os governantes manter ordem interna, preservar tradição, e manter um constante padrão de vida para os camponeses contribuintes.
Ele treinou seus seguidores na benevolência, rituais tradicionais, filial piedade, lealdade, respeito pelos superiores hierárquicos e para o idoso, íntegros e flexibilidade no aconselhamento governantes.
Na etapa Moderna, o neoconfucionismo teve três escolas: a escola do princípio (racionalismo), a escola da mente (idealismo) e a escola do saber prático (empirismo).
A especulação metafísica do século XI foi sintetizada no século XII pelo grande neoconfuciano Zhu Xi, que desenvolveu as teses da escola do princípio. Esta escola afirmava que todas as coisas estavam compostas de dois elementos: o princípio (li), que era um reflexo do Grande Absoluto (Tai-chi), e a matéria (ch’i). A escola da mente surgiu nos séculos XI e XII e seu divulgador foi o estadista Wang Yang-ming. Seguindo os primeiros ensinamentos da escola, Wang asseverava que a mente não era uma combinação de li e ch’i, mas apenas li, o princípio. No início da dinastia Tsing, a partir de 1644, a escola do saber prático deu novo impulso ao estudo dos textos clássicos da dinastia Han para redescobrir a verdadeira ética e as doutrinas sócios-políticas do confucionismo.
As falhas do neoconfucionismo se fizeram evidentes no século XIX. Na década de 1890, o filósofo K’ang Yu-wei fez um esforço radical de adaptação do confucionismo ao mundo moderno como fonte para uma reforma radical das instituições políticas e sociais chinesas, frente ao imperialismo do Ocidente. A filosofia chinesa do século XX adaptou uma série de modelos derivados do pensamento ocidental, introduzido desde 1897, ao mesmo tempo em que tentou utilizar idéias das escolas orientais tradicionais. As filosofias ocidentais mais influentes foram o pragmatismo e o materialismo. Este último foi o motor da reconstrução econômica chinesa e, a partir do fim da década de 1920, o materialismo histórico adquiriu popularidade entre alguns filósofos não comunistas. Posteriormente, a maior parte dos materialistas adotou o marxismo-leninismo como linha política ortodoxa do Partido Comunista Chinês, proposta por Mao Tsé-tung.
Objetivismo
Objetivismo é a filosofia identificada pela autora e filósofa Russa-Americana Ayn
O Objetivismo afirma que a realidade existe independente da consciência, que o ser humano tem contato direito com a realidade através dos sentidos, que pode ter conhecimento objetivo pelo processo de formação de conceitos, da lógica dedutiva e indutiva, que o objetivo moral da vida humana é atingir a própria felicidade ou interesse racional, que o único sistema social consistente com esta moralidade é um que respeite os direitos do seres humanos à vida, liberdade, propriedade e busca à felicidade, ou seja, capitalismo, e que a função da arte é transformar as idéias metafísicas mais abstratas, reproduzindo seletivamente a realidade, em forma física.
Rand originalmente expressou suas idéias filosóficas em romances Quem é John Galt?, A Nascente e livros de não-ficção como Capitalismo: O Ideal Desconhecido, A Virtude do Egoísmo, entre outros.
O nome Objetivismo vem do princípio de que o conhecimento e valores humanos são objetivos: eles não são criados pelos pensamentos que alguém tem, mas determinados para natureza da realidade, para serem descobertos pelo ser humano. Rand disse que escolheu este nome porque o termo preferido para uma filosofia baseado na primazia da existência - existencialismo - já havia sido usado.
Estruturalismo
Na historia da filosofia o estruturalismo aparece como aquela corrente metodológica contemporanea cujo núcleo teórico está definido pela noçao de estrutura.

O conceito mesmo de estrutura nao está isento de ambigüidade, já que é utilizado em campos diversos. Entretanto, a noçao de estrutura sobre que se baseia o estruturalismo parte fundamentalmente da noçao elaborada pela lingüística de F. de Saussure. Nela, a noçao de estrutura - baseada no estudo da linguagem como sistema de signos -, é entendida como um todo que só pode compreender-se a partir da análise de seus componentes e da funçao que cumprem dentro do todo. Essas estruturas têm, assim, o caráter de uma totalidade na qual qualquer modificaçao de alguma das suas relaçoes afeta o conjunto, já que a estrutura mesma está definida por suas relaçoes, sua autorregulaçao e suas possiveis transformaçoes.

A partir de sua aplicaçao na lingüística, o estruturalismo começou a extender-se a outras ciencias sociais. Como consequencia de sua posiçao anti-historicista e anti-subjetivista e da noçao mesma de estrutura, o estruturalismo é uma forma de anti-humanismo metodológico que proclama a «morte do homem».

A constituiçao do estruturalismo como corrente metodológica se deu principalmente na França, em luta aberta contra a corrente existencialista representada por Sartre (contra quem Lévi-Strauss polemizou diretamente), e contra todas as formas de pensamento historicista, incluindo o marxismo.
Nesse confronto, o estruturalismo foi acusado, especialmente por Sartre, de ser uma mera ideologia formalista que conduzia a posiçoes conservadoristas.
O estruturalismo foi desenvolvido em diversas áreas: na linguística (Saussure), na antropologia (Lévi-Strauss), na sociologia (Radcliffe-Brown), na literatura (R. Barthes), na filosofia (Foucault, Derridá), na psicanálise (Lacan), no marxismo (Althusser), na psicologia (Piaget) etc.
Construcionismo
O construcionismo é uma teoria proposta por Seymour Papert, e diz respeito à construção do conhecimento baseada na realização de uma ação concreta que resulta em um produto palpável, desenvolvido com o concurso do computador, que seja de interesse de quem o produz. A esse termo freqüentemente se associa o adjetivo contextualizado, na perspectiva de destacar que tal produto - seja um texto, uma imagem, um mapa conceitual, uma apresentação em slides - deve ter vínculo com a realidade da pessoa ou com o local onde será produzido e utilizado. O construcionismo implica numa interação aluno-objeto, mediada por uma linguagem de programação, como é o caso do Logo.
Construcionismo é uma reconstrução teórica a partir do construtivismo piagetiano, feita por Seymour Papert (1994).
Papert concorda com Piaget de que a criança é um ‘'ser pensante'' e construtora de suas próprias estruturas cognitivas, mesmo sem ser ensinada.
Porém, se inquietou com a pouca pesquisa numa área e levantou a seguinte interrogação:
- Como criar condições para que mais conhecimento possa ser adquirido por esta criança?
A atitude construcionista implica na meta de ensinar, de tal forma a produzir o máximo de aprendizagem, com o mínimo de ensino.
A busca do construcionismo é alcançar meios de aprendizagem fortes que valorizem a construção mental do sujeito, apoiada em suas próprias construções no mundo.
Dizer que estruturas intelectuais são construídas pelo aluno, ao invés de ensinadas por um professor não significa que elas sejam construídas do nada.
Pelo contrário, como qualquer construtor, a criança se apropria, para seu próprio uso, de materiais que ela encontra e , mais significativamente, de modelos e metáforas sugeridos pela cultura que a rodeia (Papert, 1986).
Piaget acreditava que o processo de formalização do pensamento tinha como base a maturação biológica, seguida de processos de interação com o meio, originando estágios universais de desenvolvimento.
Papert enfatiza que essas etapas são determinadas, também, pelos materiais disponíveis no ambiente para a exploração da criança, e que, esse processo se intensifica à medida em que o conhecimento se torna fonte de poder para ela. Isto explicaria o fato de certas noções serem mais complexas para algumas crianças compreenderem, por não terem como experimentá-las no cotidiano.
Papert põe em relevo o estudo das operações concretas pesquisado por Piaget e critica seguidores (pesquisadores e escolas) que buscam como progresso intelectual, a passagem rápida da criança do pensamento operatório concreto para o abstrato (formal).
Para ele, é muito importante que a construção do conhecimento, no pensamento concreto, seja fortemente solidificada, desenvolvendo-se as entidades mentais relevantes, ampliando-se a capacidade do sujeito operar no mundo.
Dessa forma, a criança terá um instrumental maior para atuar ante as situações de forma flexível e criativa, capacidade essa, cada vez mais exigida na sociedade. Salienta que o pensamento concreto é usado por todos nós, mesmo os cientistas, durante o nosso processo de raciocínio, sendo os princípios abstratos usados como ferramenta para intensificá-lo.
É fundamental para compreendermos e interferimos no desenvolvimento dos processos cognitivos do sujeito e, por que não dizer também nos processos afetivos, o conceito de Papert que enfatiza as conexões do novo como o que já se sabe, já se experimentou.
Nós nos motivamos a aprender o novo conhecimento significativos para nós.
É importante a conexão entre as entidades mentais existentes, para o progresso e criação de novas entidades mentais. É assim que se dá a aprendizagem espontânea e informal, tanto na criança, quanto no adulto.
Dessa forma, o professor deve ter o papel de facilitador criativo, proporcionando um ambiente capaz de fornecer conexões individuais e coletivas, como, por exemplo, desenvolvendo projetos vinculados com a realidade dos alunos, e que sejam integradores de diferentes áreas do conhecimento.
Assim , estará sendo um agente preventivo das DPA.
Todas essas idéias são desenvolvidas e aplicadas por Papert no Massachusetts Institude of Technology (MIT), Boston, EUA.
Papert viu na Informática a possibilidade de realizar seu desejo de criar condições para mudanças significativas no desenvolvimento intelectual dos sujeitos.
Para tal, Papert desenvolve uma linguagem de programação, chamada Logo, de fácil compreensão e manipulação por crianças ou por pessoas leigas em computação e sem domínio em matemática.
Ao mesmo tempo, o Logo tem o poder das linguagens de programação profissionais.
Papert vem desenvolvendo, entre seus colaboradores, uma metodologia de ensino-aprendizagem no ambiente computacional (metodologia Logo).
Segundo ele próprio (1994):
Minha meta tornou-se lutar para criar um ambiente no qual todas as crianças – seja qual for sua cultura, gênero ou personalidade – poderiam aprender Álgebra, Geometria, Ortografia e História de maneira mais semelhante à aprendizagem informal da criança pequena, pré-escolar, ou da criança excepcional, do que ao processo educacional seguido nas escolas.
A linguagem de programação Logo parte, basicamente, da exploração de atividades espaciais, desenvolvendo conceitos numéricos e geométricos.
A criança comanda uma tartaruga ( de solo ou de tela, na forma de cursor), com uma terminologia próxima da sua, que se locomove, de modo direto ou através de programação, criando gráficos e animações. Como exemplo de comandos de locomoção e de rotação utiliza: para frente 10, para trás 10, direita 90, esquerda 90. Nesse processo, os movimentos pelos quais as crianças ‘'ensinam'' à tartaruga , favorecem que elas externalizem suas hipóteses e conceitos. Tal fato possibilita que se pense e fale sobre eles, podendo fazer e refazer, descobrir novos caminhos, criar novas soluções, trazendo outra perspectiva para a questão do erro.
Como já foi dito, o ambiente que se deve criar em torno do Logo prioriza uma ‘' pedagogia de projetos '', onde as diversas áreas do conhecimento podem ser integradas nas resoluções de diferentes problemas, numa atitude cooperativa do grupo, facilitada pelo professor. Assim, essa linguagem oferece ao professor a possibilidade de acompanhar, passo a passo, o raciocínio lógico da criança e ver como é capaz de analisar o que fez. Como facilitador, é preciso que espere o tempo de cada sujeito. Esta vivência desperta na criança a responsabilidade sobre seu desenvolvimento, a segurança diante de situações desconhecidas, além de levá-la a refletir sobre seu próprio conhecimento ( metacognição).
Hoje, estão sendo desenvolvidas diferentes versões do Logo, integradas ao Windows, ampliando a gama de sua utilização, como por exemplo, utilizando os recursos da multimídia ou ainda da robótica. O Logo também proporciona, com linguagem de programação, a possibilidade de ser utilizado como ‘'software de autoria'', ou seja, permitindo a criação de outro softwares, a partir dele.
Podemos observar que o computador desperta, na maioria dos alunos a motivação que pode ser o primeiro ‘'triunfo'' do educador para resgatar a criança que não vai bem na sala de aula. Ele funciona como um instrumento que permite uma interação aluno-objeto, aluno-aluno e aluno-professor, baseada nos desafios e trocas de experiências.
*"Logo" - A palavra "logo" foi usada como referêcia a um termo grego que significa "pensamento, raciocínio e discurso", ou também, "razão, cálculo e linguagem".
 
O pensamento contemporâneo oferece uma gama variada de instigantes aportes teóricos que favorecem práticas sociais libertadoras.
Nota-se por estes apenas alguns exemplos como a Filosofia Contemporânea influenciou e ainda influência nossa atual contextualização numa totalidade cosmológica, ou seja, de como vemos, interagimos e transformamos o mundo.
 
 
Referências Bibliográficas
 
1- ROVIGHI, Sofia Vanini. HISTORIA DA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA.São Paulo: LOYOLA , 1999.
2- JERPHAGNON, Lucien.História das Grandes Filosofias. São Paulo : Livraria Martins Fontes Editora Ltda. 1992.
4- Marcondes, Danilo. Textos básicos de filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein / Danilo Marcondes. - 5. ed. revista. - Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,2007.
5- Luís Carlos de Morais Junior. Apostila - Filosofia Contemporânea - SIGNORELLI. RJ
6- Curso de Filosofia: para professores e alunos dos cursos de segundo grau e graduação / Antonio Rezende (organizador). - 13.ed.- Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005.